terça-feira, 17 de maio de 2011

NÃO SE APRENDE A AMAR

VEJA QUE INTERESSANTE E CRIATIVO O ARTIGO ABAIXO TRANSCRITO DO JORNAL ESTADO DE MINAS, DE 16.05.2011, CADERNO DE CULTURA E DE AUTORIA DO JORNALISTA ALCIONE ARAÚJO.

Quais os principais problemas que você vive ou viveu em seus relacionamentos amorosos? - perguntou a professora Mirian Goldenberg, pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em sexualidade e conjugalidade, a homens e mulheres. Contradição instigante: sempre ouvi e ainda ouço maravilhas do amor e horrores dos relacionamentos.
Não surpreende que os problemas mais frequentes sejam infidelidade e ciúme - reflexos da incerteza do amor. Em toda época, cultura e civilização a dupla bomba. Daí a grande maioria dos romances, peças teatrais e filmes tratarem do tema. Surpreende é que infidelidade e ciúme persistam numa época em que as mulheres se livraram da sujeição aos homens e assumiram a plenitude da independência, franca liberdade sexual, várias formas de conjugalidade, livres para viver como quiserem - o amor a única razão para estar com alguém!
As respostas das mulheres foram muito além do ciúme e infidelidade. Falaram da falta de maturidade, responsabilidade e sinceridade dos homens; da falta de sensibilidade; conversa; diálogo; comunicação; alegria e ,surpreendente: da falta de amor! E mais: falta carinho, romance, intimidade, paixão, desejo e tesão. Disseram que falta liberdade, respeito, admiração, companheirismo e amizade. Queixaram-se da falta de paciência atenção, confiança, interesse, reciprocidade, cumplicidade, generosidade. Reclamaram da falta de tempo, pontualidade, dinheiro, segurança e organização. Várias mulheres anexaram folhas para anotar mais faltas. As mais diretas disseram que falta tudo.
Para essas mulheres, o relacionamento com os homens é responsável pelo mar de carência, lacunas e frustrações em que suas vidas afundam em infelicidade e amargura. A pergunta que não quer calar: por que ficar juntos, nessa situação? Tamanha incompetência dos homens é para esquecê-los. porém, casa-se como nunca, sem indícios de que os noivos possam poupar as noivas da frustração.
Não desista. Ao indagar dos problemas, as respostas são problemas, e excluem as mulheres felizes. Ao estender a todos os relacionamentos, e não só o atual, são negativas - quem está contente, nem pensa em mudar de parceiro(a)!
A pergunta de Freud - O que quer a mulher? - ficou sem sem resposta, e ela segue infeliz e queixosa. Talvez a pergunta seja: o que leva a mulher a crer que homem possa satisfazer todas as suas necessidades? Diz a professora Goldemberg: "Elas repetem exaustivamente: 'Falta homem no mercado'. Mas em que mercado é possivel encontrar o homem que satisfaça uma mulher?" Inexiste.
Os homens foram objetivos nas respostas. Citaram infidelidade, ciúme e falta de compreensão como principais problemas. Goldemberg cita a resposta do engenheiro de 54 anos, que ironiza a situação: "É impossivel dar a uma mulher tudo o que ela quer e precisa. Seria perfeito se cada uma tivesse pelo menos três homens. Um para sexo, romance, paixão. Outro, para carinho, proteção, atenção. E o terceiro para conversar, ver filmes inteligentes, ter discussões filosóficas. Acho que seria bom tambem ter um quarto homem cheio de grana, para pagar as contas, as viagens, os restaurantes sofisticado, os presentes caros. E um últmo que as faça dar risadas. O problema é que elas querem tudo num homem só. Que homem dá conta de tudo o que uma mulher quer?"
Se as mulheres deliram, homens também deviam delirar, como iniciantes eternos. Pés no chão, cabeça nas nuvens: razão e realidade não bastam. Não se pode aprender a amar, como não se pode aprender a morrer, diz Zigmund Balmer. É o mistério humano, uma paixão viva destinada á frustração final.

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